Muitas pessoas ainda acreditam que falar sobre cuidados paliativos significa desistir de trata, embora não seja isso. Os Cuidados Paliativos (CP) não começam quando não há mais nada a fazer, mas sim quando há muito a cuidar. Eles podem caminhar junto ao tratamento modificador da doença, desde o início de uma condição grave ou avançada. Enquanto a oncologia trata o tumor, por exemplo, os CP ajudam a controlar dor, falta de ar, fadiga, ansiedade, insônia e outros sintomas que também fazem parte da doença.
Além disso, ajudam a compreender o prognóstico, organizar prioridades, conversar sobre medos, apoiar a família e construir decisões mais alinhadas ao que aquela pessoa considera importante para a própria vida. Planejar o cuidado não significa abandonar a esperança, mas sim ampliar o que se entende por isto. Às vezes, a esperança será de resposta ao tratamento, porém, em outros momentos, será de menos sofrimento, mais autonomia, mais tempo em casa, mais clareza nas decisões ou mais presença junto de quem se ama.

Em um estudo clássico com pacientes recém-diagnosticados com câncer de pulmão do tipo não pequenas células metastático, a introdução precoce dos CP, junto ao tratamento oncológico habitual, esteve associada a melhor qualidade de vida, menos sintomas depressivos, menor uso de tratamentos agressivos no fim da vida e com mediana maior na sobrevida. Mais recentemente, a diretriz da American Society of Clinical Oncology reforçou a recomendação de integrar cuidados paliativos especializados de forma precoce ao tratamento ativo de pessoas com câncer avançado.
Planejar o cuidado não é escolher entre tratar ou cuidar, mas entender que tratar também deve ser uma forma de cuidar, não a única, e que, em qualquer fase da doença, é preciso perguntar: o que importa para esta pessoa agora?
Referência Bibliográfica
TEMEL, J. S. et al. Early palliative care for patients with metastatic non-small-cell lung cancer. New England Journal of Medicine, v. 363, n. 8, p. 733-742, 2010. DOI: 10.1056/NEJMoa1000678.